12 de set de 2016

Obrigada


Obrigada pelas flores que não me enviou. 
A ausência de seu perfume me abre os olhos para uma realidade que nunca pude imaginar.

Obrigada pela ligação que não fez.  
A negação de seu carinho me revelou finalmente os reais sentimentos, a revolta, desprezo e amargura que nunca imaginei que você pudesse sentir.

Obrigada pelo presente que não me deu. 
Não pelo valor de um objeto, mas por finalmente demonstrar o meu valor em sua vida.

Obrigada por me fazer só quando mais precisei de você. 
O sofrimento pode ser enorme, mas a lição é maior ainda.

Obrigada. 

31 de ago de 2016

Mr. Jerome Silberman


Mr. Jerome Silberman, mais conhecido por todos como Gene Wilder, esteve presente nos momentos mais alegres que passei em frente à uma televisão. A mágica de Mr. Wilder talvez comece com seu rosto expressivo e doce que nos desperta uma ternura instantânea até notamos seus olhos brilhantes onde uma loucura hilariante vive perpetuamente e percebemos que este homem é muito mais do que podemos imaginar.
Não existe um filme em que Gene Wilder não salte da tela para seu colo como um gênio saltando de uma garrafa. Ele leva a todos na palma de suas mãos com sua voz melodiosa e sedutora que se eleva histérica e hilária em discursos insanos muitas vezes escritos por ele próprio.
Não se pode falar em Gene Wilder sem dizer que sempre andou em muito boa companhia. Mel Brooks, Richard Pryor,  Madaleine Kahn, Marty Feldman, Cloris Leachman, Dom DeLuise, são somente alguns dos grandes que tem suas pegadas ao lado das dele, muitos repetidas vezes. Sem contar sua hilária esposa Gilda Radner, falecida tão cedo, mas memorável tanto só quanto ao seu lado.
Gene atuou, dirigiu e escreveu por toda sua vida artística e fez tudo brilhantemente. Sua gang nos fez rir de forma maliciosa, mas inteligente, coisa que já ninguém mais sabe fazer. Há muito tempo não temos o prazer deste humor, mas saber que sua luz se foi, definitivamente, é triste.
Gene Wilder deixa saudades de um tempo que não volta mais, de risadas compartilhadas com aqueles que amamos e da inocência que com certeza foi perdida em meio às suas piadas de duplo sentido e da sensualidade debochada de Madaleine Kahn.
Vai em paz, querido mago.

17 de ago de 2016

Nazistas? Não. Mal Educados? Absolutamente sim


Se Thiago Braz estivesse na França e fosse vaiado no momento de seu pulo o Brasil viria abaixo. Já imagino o tamanho das reclamações e ofensas contra o povo Frances que se atrevesse a atrapalhar o atleta na hora de sua maior concentração, mas..... Invertemos o caso e todos brasileiros estão ofendidos por terem sido chamados de povinho de merda quando se comportaram de maneira pouco educada, nada esportiva e incrivelmente infantil.
Se eu estivesse no lugar do Frances teria palavras muito mais pesadas para chamar quem atrapalhou o momento supremo da olimpíada para mim. Concentração para o atleta é tudo, no momento anterior ao inicio da prova é preciso foco e uma platéia desrespeitosa e absolutamente sem noção de como se comportar em um evento deste nível o tirou completamente desse necessário estado mental.
Se o cara é um merdinha ciumento e antipático nem vem ao caso . Tá cheio de merdinhas antipáticos por ai, mas é o direito deles ser assim, o que não é direito é agir como adolescentes e esquecer que o cara está lá para competir, não para ganhar a faixa de Mister Simpático.
Esse é o Brasil triste, onde as pessoas não têm mais educação e se sentem no direito de agredir qualquer um que lhes pareça merecedor e fazer isso da maneira que foi feito é prova suficiente.
A resposta do mal humorado Frances foi infeliz? Completamente. Infeliz e idiota, mas sendo o merdinha antipático e mal humorado que é não se pode esperar que não respondesse a ofensa com outra ofensa.
Não é a primeira vez, nesta olimpíada,  que vejo o publico vaiar um atleta só por estar competindo com um Brasileiro e toda vez fico com muita vergonha alheia.
Esses caras ralam para chegar até lá. Muitos passam pelo pão que o diabo amassou para chegar lá. Não é certo tentar derrubar um atleta com tanta negatividade só porque ele teve a infelicidade de ser o oponente de um Brasileiro.

Renaud Lavillenie é antipático sim, mas nossa torcida foi muito mais. 

16 de ago de 2016

Joking


Para quem nasceu nos anos sessenta os dias de hoje são muito estranhos e restritivos. Na minha infância, adolescência e mocidade era comum rirmos de tudo e todos sem maldade. Carinhosamente apelidávamos nossos amigos que nos retribuíam o favor e ninguém se ofendia com isso. Contávamos piadas que hoje são consideradas preconceituosas, mas não o eram. Lembro de meu pai contando com saudades e amor de seus amigos e os apelidos divertidos que tinham, o manco que era chamado de “tá fundo, tá raso” o maneta que era chamado de polvo e mais tantos que nem vale a pena lembrar, pois certamente alguém falará alguma coisa contra meu pai que era o homem mais sem maldade do mundo.
 O mal desta época são as pessoas politicamente corretas. Eu não as suporto. Sempre apontando seus dedos duros e judiciosos para todos, arrotando verdades absolutas em seus mundos pequenos e preconceituosos. Sim, preconceituosos, porque não há preconceituoso maior do que um politicamente correto de carteirinha. Ele atirará para todo lado, toda hora, sem descanso. É dele a verdade e você, que fez uma piadinha sem graça à toa, vai ser caçado, amordaçado e executado por ter sido um idiota com senso de humor. E não é só da falta de humor que estamos falando agora, que os politicamente corretos nem sabem o que é, porque se soubessem perceberiam que toda piada é preconceituosa, mas é uma piada, oras! Vamos falar também da maldade destas pessoas, porque para transformar qualquer comentário e piada em ofensa só tendo o coração muito corrompido.
Eu, apesar de ser considerada uma pessoa difícil e combativa, felizmente tenho senso de humor e me irrita profundamente assistir o festival de idiotices diárias de pessoas apontando para outras nessa caça às bruxas dos dias modernos.

O Mundo precisa de mais riso, de mais humor, já vivemos todo dia em meio a noticias de mortes violentas e ataques em massa, não precisamos dessa nova religião que pensa poder mudar o mundo com mais ataques, desta vez verbais.  

10 de ago de 2016

Garota Gisele



Eu acho que sobra muito tempo para as pessoas se preocuparem com o que não é de maneira nenhuma um problema. Leio as pessoas reclamando das coisas mais absurdas. O ultimo absurdo é se revoltar por Gisele Bündchen representar a famosa musa de Ipanema. Eu acho que ela é o epítome da musa. Seja de Ipanema ou qualquer outro lugar. Acho que as pessoas se esqueceram, ou nem sabem nessa época que todos só lêem noticias e matérias falsas do Facebook, mas a musa para a versão final da tão famosa musica é Helô Pinheiro que sempre foi  um mulherão, apesar de nem sempre loira. Está longe de Helô Pinheiro exibir a herança negra de nosso país e isso não é incomum e nem um pecado, mas Garota de Ipanema é uma homenagem ao seu charme e beleza que acho Gisele representou muito bem ao caminhar pela “praia” do Macaranã com a graça que Helô deve ter cruzado a frente do Bar Veloso tantos anos atrás.

O mundo está desmoronando, gente. Ter Gisele cruzando o Maracanã, esplendorosa, não é algo que me envergonhe ou entristeça. Não é não. 

25 de nov de 2015

Inocência

"Girl at the mirror" Norman Rockwell
 
 
A verdade é que perdemos a inocência. Todos nós. Quando se é inocente nãos nos prendemos ao que nos falta, mas aos nossos sonhos. Aceitamos o que existe a nossa volta sem revolta, mas com uma imensa curiosidade. Olhamos para tudo sem preconceitos, sem pré-julgamentos, sem medo. Olhamos para o espelho e não vemos nossas imperfeições, mas a promessa de um super herói. Sonhamos em ser corajosos e justos, em estender a mão aos que precisam, em levantar quem cai. Queremos ser bombeiros, policiais, enfermeiras, médicas, cientistas, pilotos, aeromoças, queremos servir ao mundo e receber sorrisos. Em nossa inocência somos puros de uma maneira que nunca mais seremos e isso é uma pena, porque quando somos inocentes somos perfeitos. A idade somente nos trás decepções. Cedo demais começamos a duvidar de nosso valor, cedo demais olhamos no espelho e vemos imperfeições, cedo demais procuramos por caminhos que agradem a todos a nossa volta e não ao nosso coração. Eu olho no espelho agora e vejo uma doce menina acenando, cheia de amor e energia me dizendo para esquecer do mundo e ser inocente novamente. Eu queria ser uma veterinária, salvar pessoas de desastres, saber desenhar ou pintar, aliviar o sofrimento de animais, eu queria ser uma heroína para ao menos uma pessoa, ter uma organização que corresse o mundo curando o coração dos que sofrem nas guerras. Não posso dizer que consegui o que a menina no espelho queria, nem de perto, mas isso não quer dizer que não devo continuar tentando. Uma alma, uma ferida, um medo por vez. Eu posso ser mais inocente. Eu quero ser mais inocente.

9 de jun de 2015

A importância das coisas sem importância.





Passamos a vida buscando por grandes gestos. Seja um pedido de casamento, uma grande festa surpresa, uma declaração de amor em altos brados, uma grande promoção, esperamos muitas vezes inutilmente, nos esgotamos em esperanças vãs e decepções amargas.
O mundo virou essa grande competição pela melhor noticia pessoal em sua pagina do facebook. Vale tudo, almoço em restaurante famoso até detalhes íntimos que deveriam pertencer somente ao casal.
É o famoso esfregar na cara. Tanto a graça quanto a desgraça, porque percebo que para muitos a desgraça compartilhada é uma espécie de bônus também. Quanto mais pessoas se compadecerem e tornarem publico esse sentimento melhor. O importante é sentir-se importante quando o importante não deveria importar realmente.  
E ai chego nas coisas sem importância que deveriam encher suas prateleiras, mas quase nunca saem do fundo do armário. Coisas como simplesmente ter uma família, não a família que se reúne no  selfie para o facebook, mas aquela família que você observa silenciosamente agradecendo a Deus que ela existe. Aquela família que te dá o sentimento sublime de pertencer, de nunca estar só, mesmo quando gostaria de estar. E o faz em silencio, porque o sentimento é enorme demais par dividir.
Ou o fato de ao sair pra comprar um presente de aniversario para seu irmão e se emocionar com o fato de que são tão unidos e presentes na vida um do outro que escolher  o que lhe agradará sempre te leva a lembranças de horas, minutos, segundos de perfeita amizade.
Ou levantar no meio de um dia qualquer, rodeado pelos que ama, e cozinhar algo saboroso que demonstre o que sente. Doce e suave como o fato de que prefere lidar com a louça suja depois do que não ver o sorriso contente em seus rostos.
Ou o estar contente no meio da tarde com seus peludos fazendo graça enquanto você escreve as besteiras que passam pela sua cabeça.
Lembro de um dia escrever um post para o blog onde dizia que o grande gesto de amor não é o GRANDE, mas sim o não comer as ultimas batatinhas, pois sabe o quanto seu irmão gosta delas. E cada dia mais acredito nisso, pois cada grande gesto que vi na minha vida escondia uma decepção, mas os pequenos gestos sempre escondiam grandes sentimentos.
E é assim também quando leio as mensagem trocadas entre meus amigos da era vitoriana, quando tínhamos 17, 18 anos. São mensagens cheias de humor e carinho real. E cada mensagem que leio rio lembrando de nossos tempos em Mirandópolis, no postinho, no predinho....  Nada importante.
E assim é quando uma grande amiga liga somente para saber como estou. Nada importante, somente para dizer que apesar do tempo e distancia a amizade não evapora, somente fortalece.
E é assim quando aquela tia querida te visita, aquela que desde menina foi a única a te olhar com carinho real e passam o dia a falar do mundo como se este fosse um globo de neve. Onde dividem planos e sonhos e lembranças. Nada importante.
E é assim quando, no meio de uma crise que te arrasa, o já mencionado irmão te olha sorrindo e diz que tudo vai dar certo e você acredita porque enquanto estiverem juntos o resto não importa. Nada importante.
Não se enganem, leio todas grandes noticias, todas pequenas noticias, todas crises, de todos, mas me agradam muito mais as de pequenos gestos sem importância.