25 de jul. de 2018

Hercule Suchet Poirot

David Suchet como Poirot


Meu primeiro livro de Agatha Christie foi um protagonizado por Poirot e de todos seus personagens ele é ainda meu preferido.

Este homenzinho empertigado, meticuloso e egocêntrico, me acompanha por mais de quarenta anos. Não sei quantas vezes reli seus livros, mas sei dizer que a cada vez eles me deram muito prazer.

Todo leitor quando ama um personagem imagina o mesmo em detalhes e Poirot, que tem sua descrição em mais de meia centena de contos e romances, é muito “vivo” em minha mente.

Durante muito tempo esperei para ver meu Poirot e sempre me decepcionando. Não que Albert Finney, em Murder on the Orient Express de 1974, não tenha feito um belo trabalho, mas não era meu Poirot. Este Poirot, para mim, era mau-humorado demais, lhe faltava a finesse que é a marca do homenzinho, o sarcasmo polido que confunde aqueles com menos celulas cinzentas. Sua aparência também deixava a desejar, de alguma maneira o Poirot de Finley parecia mal-ajambrado.  Mas claro que amei ver minha Agatha e meu amado Poirot mesmo assim.

Nova decepção, mas das mais divertidas com Peter Ustinov em Death on the Nile de 1978, Evil Under the Sun de 1982, Thirteen at Dinner de 1985, Murder in Three Acts de 1986 e Dead Man’s Folly também de 1986. Todos estes filmes mais do que deliciam os fãs de Agatha, mas Peter Ustinov não é Poirot. Nem de longe. Ele é um, muito divertido, detetive, mas nunca Poirot.

Depois de algumas décadas de espera esbarrei em meu perfeito e vivo Poirot. Procurando séries inglesas para meu mano Urso descobri que desde 1989 o maravilhoso David Suchet encarnara o meu mais amado detetive e o continuou fazendo ao longo de 25 anos, contando as tramas dos 70 livros e contos que me deleitaram desde a adolescência.

Ele é mais que perfeito, é a encarnação do homenzinho mais irritante e amado do mundo. Mas não é somente Suchet que faz de cada uma das estórias uma pedra preciosa, toda a série foi feita com extremo cuidado. Fotografia, figurino, roteiro e direção são tão importantes quanto Suchet. Cada ator escolhido para contracenar com Poirot parece ter nascido para o papel (mas é o “mal” dos atores ingleses, sempre perfeitos) e a personificação de Capitão Hastings e Ariadne Oliver, companheiros de Poirot em tantas investigações, Miss Lemon, sua secretária perfeita e Chief Inspector Japp é também perfeita.

Depois de ver David Suchet dar vida ao mais do que difícil detetive, sei que nunca mais verei um novo Poirot como ele. Posso assistir a novas adaptações, mas somente como passatempo. Minha busca terminou. Poirot só existe um e este é David Suchet.


Merci, mon ami...

Hugh Fraser como Capitão Hastings 

Zoe Wanamaker como Ariadne Oliver

David Suchet como Poirot
Pauline Moran como Miss Lemon
Philip Jackson como Chief Inspector Japp
Hugh Frase como Capitão Hastings



24 de jul. de 2018

Agatha, oh Agatha...




Ler é um dos meus maiores prazeres. Não me importo muito, como muita gente, em ler somente clássicos, o que é considerado “literatura”, mas adoro também os livros pipoca. Fantasias, romances, ficção, o que puder colocar minhas mãos, contanto que o escritor seja um bom contador de historias e seus personagens tenham personalidade.

 Dickens, Shakespeare, Stephen King, Alexandre Dumas, Jane Austin, Neil Gaiman, Arthur Conan Doyle, Edgar Allan Poe, J. K. Rowling, Raymond Chandler, Georges Simenon, Boris Akunin, Dashiell Hammett, Andrea Camilleri, Jodi Picoult, Meg Cabot, Janet Evanovich e talvez a mais importante Agatha Christie, são todos excelentes contadores de historias. Não são os únicos, mas os que me vem à cabeça nessa hora. Não importa o que escrevam sempre conseguem te envolver em suas tramas, seus dramas, suas excêntricas comédias e seus romances.

Lembro da primeira vez que li Dickens, David Copperfield, e como foi difícil passar as primeiras cinqüenta paginas. A todo o momento tinha que atirar o livro na parede (figurativamente, claro) de tão dolorosa era a leitura. David não sofria sozinho, eu estava lá ao seu lado e o não poder confortá-lo na sua infância odiosa me deixou em prantos.

Talvez seja assim que você reconhece um bom contador de historias, quando ele deita as palavras no papel elas passam para sua alma de uma maneira que é impossível não sentir cada percalço, cada sucesso e exultar quando finalmente o final feliz chega.

Dickens, Jane Austin e Stephen King, para mim, são os mestres, pois seus personagens são tão reais como o casal que mora ao lado ou a velha solteirona do segundo andar. Eles existem em sua vida, você já os conheceu com outros nomes, em outras cidades, em outras décadas.

Mas quem me levou a eles foi Agatha Christie.

Quando comecei a ler eram os romances do século passado, livros já gastos que minha mãe ganhara quando jovem. Para uma menina eram um mundo lindo e cheio de sonhos a serem tecidos. Tragédias, atribulações e finalmente o amor vencendo.

E então, em um fim de semana com Tia Hilda, sem ter o que fazer revirei suas estantes e me sentei em sua sala pequena e perfeita com um livro de Agatha Christie e meu mundo mudou.

Você não somente lê Agatha, você discute com ela, reclama das informações que ela escondeu para te impedir de adivinhar o assassino, ri de seus personagens ricos e tão freqüentemente hilários e se diverte imensamente com historias absurdas, mas incrivelmente perfeitas para você. E assim ela te leva a pensar que existem mais escritores e será que existirão outras Agathas?

E com ela vieram os outros e incontáveis dias e noites de prazeres e sofrimentos fictícios que me abriram os olhos para tanta coisa que ignorava no mundo.

Para muitos leitores é importante manter o prestigio de leitor somente tendo olhos para os Dostoiévskis ou Tolstoys, mas isso é uma tolice imensa. Você pode aprender muito lendo Harry Potter de J.K. Rowling, Bag of Bones de Stephen King ou My Sister's Keeper de Jodi Picoult. O que você ganha com um bom contador de historias é infinitamente belo e o leva a querer cada vez mais.

Essa foi a mágica que Agatha trouxe à minha vida e até o fim de meus dias serei grata a ela.

23 de jul. de 2018

O seio da questão ou a questão do seio




Tem algumas coisas que me incomodam e o debate sobre a amamentação em publico é uma destas coisas. Para mim, apesar de entender as motivações, nenhum dos lados luta pela coisa certa ou luta mostrando a coisa certa.

Amamentar seu filho é um ato dos mais belos e é ainda mais belo quando você vê uma mãe que o faz não só para nutrir, com impaciência e cansaço, mas com um sorriso que demonstra o quanto este elo invisível entre mãe e filho é importante para ela. É belo, sim, trás muitas vezes lagrimas aos olhos ver uma mãe neste momento frágil. E frágil é a palavra para mim.

Uma mãe não pode se prender à sua casa somente porque algumas pessoas acham que amamentar em publico é quase um ato pornográfico e temos muitas pessoas que pensam assim porque seus cérebros são esgotos e somente vêem o que de pior podem tirar de uma situação.

Dito isto, me pergunto... é necessário expor seu seio e sua criança a olhares maldosos?

Para você, no mundo em que seu filho é mais importante que tudo, e está faminto, nada importa, mas aquele sacana ao lado está de olho, está feliz pelo show pensando que nem precisa entrar na internet para ver algum peito nu.

E é ai que entendo quando aquela senhora de idade olha o espetáculo e diz que é uma vergonha, não porque é pudica, mas porque vem de uma época em as mulheres tinham mais respeito pelo próprio corpo. 

O que ela vê é a exposição desnecessária, o que uma fraldinha cobrindo o seu bebe e seu seio resolveriam em um segundo.

Já vi muitas mães amamentando e confesso que as que arrancam o peito para fora no vagão do metrô ou no meio da padaria me deixam profundamente desconfortável. Não pelo peito, entenda, mas pela atenção masculina que gera. Como mulher ver olhares lascivos apontados, mesmo que disfarçados, a uma mãe e seu bebê me irrita e constrange. A irritação vai para ambas as partes, mãe que não se protege e homens sem noção, e o constrangimento é como uma toalha molhada em qualquer lugar que isso acontece. Porque é desnecessário. Porque é expor um ato lindo para uma cambada de estranhos.

A briga aqui não deveria ser se você pode expor seu seio ao mundo. A briga deveria ser sobre você poder amamentar seu filho em qualquer lugar, em segurança e em paz.

Assim como as feministas de hoje que acham que a briga é sobre poder fica nua na rua ou dar pra quem quiser, a briga das mães perdeu seu rumo e sentido para mim.

Proteja seu filho. Proteja seu corpo. Não se exponha em um mundo com cada vez mais predadores sexuais. Exija seu espaço seguro. Faça seu espaço seguro. 

Essa é a guerra.

21 de jun. de 2018

Trump’s folly




Trump’s folly

This is not the first time that the road taken my mankind makes me shiver in fear. I was not born yet, the last time the world descended into madness. And though I was not even a thought in my parents' minds, then, it was close enough for me to know how bad, how sad and how crippling WWII was to the world. The “let’s reset and start again” launched by D-Day was received with hope and sad smiles ,but millions of people never came home.

And the horror was not finished. Behind the gates of the concentration camps, living corpses came to light and washed the world with the knowledge that true monsters indeed existed.

Time passed. Hearts were healed after the bombs stopped exploding and peace created space for better things. But even after all that, in North America, there were people treated like second-class citizens, sometimes even like animals.
I was already born when the great United States of America started to see that the color of skin was not reason to punish anyibe - and this from the same country that had entered a war a couple decades back to put an end to injustice and free people locked down for their beliefs. But they were white...

Those people, those who not believed in equality ,are the ones who create the monsters that now, in the once great United States of America, take children from their parents in a way that will give them nightmares for the rest of their lives.

People don’t change. This is a fact. They hide what they are behind masks, when they are down, and wait for the time when all the hate and malevolence of their little black hearts can sing free again; and now they have the king of black hearts to lead them.

Now I am at my prime, more than half my life lived in a free world, but for how much longer?  Trump’s folly is being erected in North America. South America is infested with corruption and dictators. Around the world, mllions of refugees are fleeing to richer countries, trying to survive. Everything seems to be crumbling, taking us almost a century back in time.  We are witnessing the first stages of Hitler’s madness, his dream of an Arian race, born again by the hands of Trump and his followers.


It’s a bad script. It’s dystopia. It is, unfortunately, our new reality.



fol·ly
noun
  1. 1.
    lack of good sense; foolishness.


  2. 2.
    a costly ornamental building with no practical purpose, especially a tower or mock-Gothic ruin built in a large garden or park.

20 de jun. de 2018

CR7




CR7



Devo confessar que não suportava o Cristiano Ronaldo. Aquele cabelo sempre cheio de meleca e a arrogância desmedida me preveniam de ver qualquer coisa digna de nota no rapaz. O tempo passa, graças a Deus, e nos dá chance de abrir o livro mesmo que a capa não seja grande coisa. Primeiro aceitei a arrogância do menino, porque, convenhamos, ele JOGA bola. Quando ele diz que é o melhor não está sendo arrogante, é a pura verdade. E ele não é somente um excelente jogador, Cristiano Ronaldo se importa com o jogo, coisa que não vemos em muitos superfaturados craques. Não espere que ele fique caído no chão como Neymar, reclamando e tentando caçar falta, ele vai atrás da bola.
Então lá se foi minha birra com CR devido à sua arrogância, na verdade agora ele me diverte, pois como dá para ficar sem sorrir quando o melhor diz ser o melhor sem nenhum pudor? Ele me diverte com sua fala e me encanta com seu jogo.

Já de coração amolecido comecei a me interessar pela pessoa e seus atos me fizeram deixar para trás qualquer implicância que ainda tivesse. Cristiano DOA. Não somente seu dinheiro, mas sua pessoa. Ele paga por operações, doa para causas e mostra por ações onde seu coração está. Não recusa foto e autografo por estar com pressa ou irritado, como ele mesmo já disse, também já foi um fã, mas principalmente é obvio que CR nunca recusa o pedido de uma criança e olhando seu sorriso aberto ao interagir com seus fãs mirins é obvio que o faz por prazer e não para aparecer como muitos.

Numa vida onde mudei de opinião poucas vezes sobre as pessoas, ou se mudei depois me arrependi, Cristiano Ronaldo é uma linda exceção. Bons jogos, menino.

30 de ago. de 2017

Storm


It’s not just from the sky that the storm comes. Down on earth the world around us seems to be crumbling. We watch in horror and indignation while villains govern countries and the worst of us take the streets to honor old horrendous traditions that we thought are abolished. We don’t need to fret about terrorists, we need to worry about the neighbors that wait in silence till they think they are justified to spill they hatred for other races, religions and sexual preferences.
It troubles me. In fact it terrifies me that the world did this turn. A turn so bad we need to fear again, after so many decades, that our liberty is at stake.
What can we do? What can I do?
I read so many awful words spilling from Facebook friends, so much anger toward everything, no fear of offending, no fear of hurting, no fear of been wrong, just merciless words, cruel thoughts, a need to hurt that tells me of souls been lost, sentiments turning dark.

The need to close myself in a cocoon is strong. My home is a safe place. The solitude is a blessing. The world is not safe anymore.

9 de ago. de 2017

Vista



15:36 hs
Quando o sol ainda está alto no céu os edifícios a minha volta são somente construções acabadas, ou mesmo inacabadas, onde sei que milhares de pessoas vivem. Alguns agradam aos olhos, cores e arquitetura agradáveis, enquanto outros parecem somente o que são, cascas para as vidas que carregam. Suas formas recortam o céu azul até onde minha vista alcança e olhando por cada uma de minhas janelas reconheço pontos amados de meu bairro e alem.
O que não vejo, a distancia, é vida. Vejo cortinas e persianas abertas ou fechadas, mas não vejo uma silueta. O sol ilumina o mundo e apaga os interiores fazendo o movimento das arvores mais belos, o canto dos pássaros mais melodioso e o ruído dos automóveis quase uma sinfonia.
É assim o dia. Grandes estruturas vazias cercadas por movimento, cor e som.


18:06 hs
Hoje o anoitecer não vem romanticamente pintado de rosa, ele chega cinza azulado, mas ainda belo. Enquanto olho as luzes começam a se acender. Em um edifício uma única luz solitária resplandece, em outro uma a uma as janelas se iluminam indicando que os habitantes ou chegam às suas casas ou não apreciam a escuridão como eu. As arvores, entre o mar de edifícios e eu, perdem a cor, algumas elevam seus galhos para os restos de luz, outras já foram consumidas pelas sombras e são um estudo de negros e cinzas.
Mais e mais as janelas se animam, as buzinas soam impacientes, todos se apressando nas ruas agora artificialmente iluminadas. Os pássaros voam nervosos procurando seus ninhos, os passos apressados na rua se multiplicam, o som dos martelos nas construções se cala e a noite finalmente chega.

23:19 hs
Centenas de luzes já se acenderem nas ultimas horas e mais da metade delas já se extinguiu. Dentro de suas casas, agora, as pessoas se preparam para deixar de lado o dia e se entregar ao sono. Os notívagos como eu se entregam aos seus prazeres secretos e esperam pela madrugada, quando a cidade encontra um pouco de paz e tranqüilidade.
E eu, olhando estas janelas ainda acesas, me pergunto quem são essas pessoas e o que fazem. Sentam confortavelmente com a família apreciando um programa na TV? Lêem um livro ou revista esperando o sono chegar? Entregam-se à paixão nos braços de um marido/esposa/amante? Ou será que estas janelas escondem desejos mais obscuros?
A noite me fascina. Os sentidos são amplificados e tudo a minha volta parece contar uma historia. Estas janelas que me fascinam carregam vidas por trás delas que podem ser normais como a minha ou podem ser dramáticas, até mesmo aterrorizantes. Nunca iremos saber o que acontece por trás das portas fechadas do que as pessoas consideram seu lar.

A madrugada chega trazendo a esperança que este dia seja um pouco melhor, que aqueles que sofrem possam encontrar soluções para seus problemas ou um ombro amigo para derramar suas lagrimas, que os que são felizes assim o permaneçam e que a que aqueles, que como eu, sonham acordados, continuem tendo historias para contar.